sábado, 17 de novembro de 2012
A Janela
Olho pela janela e vejo a imensidão do nada sobre os meus olhos, que, a medida que vão vislumbrando os pequenos raios de luz, fecham-se, num escuro destorcedor. A brisa esbate-me na face gelando-me os pensamentos, agravando a tristeza que o frio levanta sobre as suas égides, firmando a melancolia de uma manha de Outono. O pensamento não é nada, na verdade não passa de uma simples folha branca, cheia de rabiscos e confusões. A janela embacia-se ao mesmo tempo que a respiração fica ofegante e a mão trémula, ao ponto de deixar cair a chávena de chá, que tão cuidadosamente tinha sido preparada minutos antes, com uma saqueta enfadonha de camomila. Mas o que é a vida para além de bases imaginárias, criadas sobre plataformas tectónicas, instáveis, a que a muitos chamam sentimentos? Provavelmente só a brisa o sabe, mas vai dizendo a verdade através de assobios que ninguém percebe. O menino só passa a homem quando reconhece as suas responsabilidades. Quem me dera voltar a ser menino e de desvendar cada assobio dessa fria brisa.
Graça
sábado, 15 de outubro de 2011
Le ciel

Ao mesmo tempo que o céu estrelado se mantinha,
Tocavam 12 badaladas na igreja ao lado,
E se a pêra doce sua boca sabia,
Quer então dizer que de facto vamos ambos enamorados.
Porque se só a si minha donzela peço guia,
Quer também dizer que de si tenho todo o gosto e agrado.
Luzes das estrelas o céu mantinha
Por um amo-te,
Por vezes de cariz complicado.
Porque a si devo tudo doce diva,
Espero que ilumines este teu amor maravilhado,
Com tal alegria e simpatia,
Indo o moço de teu amor escravo.
Se é a vida e o amor?
Para que pensar muito?
É tão bom amar e viver sem o saber,
É tão bom provar o pouco que o amor sabe e por ele sofrer.
O Camões Preto
sábado, 9 de julho de 2011
O casal perfeito

A história de ambos remota aos primórdios das suas próprias existências, conhecem-se desde sempre e prontamente caminhavam ambos passo a passo no caminho da felicidade. Sim, mantêm-se juntos desde os cinco anos de idade quando ele agarrou com afinco e com toda a coragem as mãos de ambos, ascendendo-as bem ao alto num gesto de plena união e amor, afirmando que dali em diante ela seria dele e ele seria dela, para sempre. Assim tornavam-se num só ser desde cedo. Ela amou-o desde o primeiro momento que sentiu a sua presença, mantendo-se junto dele até hoje, e apesar de ser cega e de ele o saber, permaneceram-se juntos na saúde e na doença, na alegria e na tristeza e nem a morte um dia chegará para os separar. É triste mas foi o seu destino. Perdeu a visão num acidente que fatalmente pôs duas asas de anjinho e um halo, por cima das cabeças dos seus pais, deixando-a assim sozinha num mundo assustador, fazendo com que ela vivesse com uma tia que viria a mostrar-lhe o portão da felicidade e do amor, que no fim seria coroado com o aparecimento dele, que por fim traria luz aos seus olhos avelã, cor de oiro e brilho de estrela. Mas no amor não importa se vemos ou se não vemos. Ela não precisa de o ver, porque quem ama vê as escuras, sente a distâncias impensáveis e ouve o coração do seu ser amado bater, numa ligação de telepatia e amor inquebrável. Isto não é a história de Romeu e de Julieta. Ela não é Bonnie e ele não é Clyde, mas são perfeitos um para o outro, caminhando lado a lado, passo a passo, de mãos dadas e sorrisos abertos, ele servindo de guia e o seu ombro de encosto, onde por fim pousaria ela a sua cabeça, ficando abraçados, aquecidos e sentados a medida que as folhas laranjas do Outono caiam delicadamente no chão, ao mesmo tempo também que os seus lábios vão-se encontrando mutuamente em longos beijos cheios de ternura e paixão. O primeiro beijo dela será dele e o primeiro beijo dele será dela. É uma vida simples preenchida de amor e carinho. A mão esquerda dele estava sempre quente para a mão direita dela, ao mesmo tempo que vão passeando e que vão quebrando tabus de uma sociedade mesquinha e atrasada, provando que o amor se sente e não se vê e que a cada dia transforma-se em algo melhor ainda, sendo um baú de surpresas que no fim revelar-se-á ser o coração de ambos, infinitamente apaixonados, um pelo outro!
JG
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Borboleta

Encontro-me deitado. Lentamente vou-me absorvendo na escuridão que me cobre num cintilar de sons que só a noite conseguirá explicar. No escuro os meus olhos não são nada. Não se vê, pensa-se muito e sonhar é tão fácil como um pestanejar que a cada micro-segundo acontece. Lembremo-nos que tudo isto é tão normal, como estão ligadas todas as partes da nossa mente ao nosso coração, e de dele cada veia, e de cada veia bombeado o sangue, e do sangue ser-se vida e na vida ter-se sentimentos. Mas neste caso eu não preciso de luzes, eu consigo ver-te as escuras. Sim, vejo-te sentada em frente à um espelho que tanto desejas partir. Partir, partem os pequenos cristais que verdadeiramente são as tuas lágrimas que involuntariamente caiem sós no chão! Isto não é um vislumbramento de uma mente que anda a roda e a roda numa plataforma instável de sentimentos. É sim de quem se preocupa, de quem para ti quer a maior felicidade e ternura mesmo sabendo que nunca te teve ou que nunca um dia te terá, para si. Mas o que tens? (interrogo-me) Porque não sorris como antes? O teu olhar que à tempos era tão brilhante como uma estrela é hoje seco, abatido, distante e triste, e infelizmente eu nada posso fazer a não ser rogar-te para que saias dessa escuridão sombria deixando de ser um cântaro fechando, por fim. Ouve-me, quem não se preocupa contigo é porque verdadeiramente nunca te quis bem ou um dia te quererá bem também. Abre as asas minha borboleta, meu anjo, voa para um céu onde a luz voltará a tua vida e ao teu sorriso. Iluminando por fim esses teus magnânimos olhos!
Ocamoespreto
segunda-feira, 6 de junho de 2011
É hoje!

Será hoje que, passados 10 anos de namoro e 5 de poupança extrema, que eu, pedir-te-ei em casamento. Meu amor, hoje será um dia marcante para ambas as nossas vidas e do mútuo sentimento que nos une, tão forte como o aço e simples como um girassol. É hoje, e após almoçar-mos por debaixo daquela árvore gigante, onde com apenas 11 anos de idade demos o nosso primeiro beijo, que por mim é tão presente como o último, que eu gentilmente desabrocharei de dentro do meu já gasto fato preto, o dito anel, que por fim ditará o nosso destino já certo, porque quando se ama tudo é bom desde o primeiro ao último momento. Comprei-o minha estrela. É de ouro com um pequeno diamante no centro, brilha tanto como os teus olhos e curiosamente nele esta inserido um reflexo contínuo do teu rosto. Ma vie, esta é a minha proposta que cuidadosamente é lida para ti por um mensageiro que nunca encontrará palavras no mundo que expliquem o quanto és especial. O quanto és única. O quanto és magnificente a cada passo que dás com esse teu sorriso imperial, a medida que os teus olhos reviram-se de este a oeste e de oeste a este, fazendo com que cada plebeu que veja relembre esse momento único, distinguindo-te com uma vénia! Obrigado por partilhares cada momento triste ou feliz da minha vida contigo. Obrigado por seres quem és e por favor nunca mudes. Desde pequenos que continuamos nesta jornada, numa jangada de flores e folhas rumo a felicidade. Aquela árvore sempre representou o nosso amor, na medida que cada folha roxa, que cuidadosamente é solta pelas diversas brisas, formam um arco-íris só nosso, num local só nosso e de um amor de ambos, que se permanece forte e coeso num só ser! Aproveitando esses lindos momentos, pedir-te-ei em casamento, coroando-te minha rainha…como sempre o foste!
Jaylson Graça
sexta-feira, 22 de abril de 2011
A carta!

Já ia longo o dia quando sobre ti vieram-me as mais lindas e fantásticas memórias que o meu coração tão bem guarda, ao longo destes anos. Não sei, mas os diversos impulsos que um homem que de ti tem o maior apreço e gosto vêm sempre ao de cima. Não serão caracteres de uma máquina de escrever, nem uma letra transfigurada de um doutor que escreve num papel perfumado para que depois o vejas. Lembro-me bem de tudo apesar de parecer mentira. Está-me tão presente na memória aquele nosso verão bem passado a costa, onde a minha Vespa era o nosso transporte, de onde o vento esvoaçava o teu cabelo naquelas curvas que por mim tão cuidadosamente eram dadas com mestria de piloto e de quem vai apaixonado naquela Serra da Arrábida tão explorada por nós. Da areia também guardo eu lembranças, a medida que os nossos dedos em plena ligação escreviam juras de amor e os nossos nomes, naquele areal branco e amarelo, pedindo a água que se acalmasse, rezando para que a maré não subisse à uma velocidade exagerada e para que as ondas que tão violentamente rebentavam perto dos nossos pés, não apagassem aquela obra-prima carregada de paixão e cumplicidade. Os almoços eram sardinhas assadas acompanhadas de pão. A simplicidade sempre foi o marco da nossa paixão. Eu bem digo, a simplicidade é a maior das complexidades, porque tudo na vida começa por ser simples, tudo na vida é simples, morre-se, nasce-se e vive-se, é simples. O nosso amor era assim verdadeiro e único. Os longos beijos que dávamos ao sabor do vento e do sumo de morango que se espalhava pelas nossas bocas, transformavam a Vespa numa nave espacial, de onde cada beiça puxada pelos dentes e cada arranho dado nas costas seriam combustível de uma nave que transbordaria com os seus propulsores para fora da galáxia, e do universo. Sim, lembras-te? Hoje não sei nada sobre ti. Desapareceste num para sempre que é hoje confirmado pela tua ausência e pela minha solidão. Procurei-te anos a fio e sem descanso. Bolas, fugiste que nem uma pomba branca assustada para longe dos meus olhos a medida que eles desabavam lágrimas sem fim, e a mesma carta que deixaste dizendo, “Desculpa tive que me ir”, ser queimada de raiva por mim a medida que soluçava e esmurrava aquele areal branco e amarelo por cima dos nossos nomes! Nem sei porque e para quem escrevo isto, se não passas de mais um espectro da minha mente e a origem do buraco negro que é o meu ser. Mas isto tudo não importa já que estou extremamente bêbado e, e , não sei o que fazer. Se calhar atarei esta carta há um pombo e ele que por magia te encontre e que te diga o quando ainda és importante, para mim.
Jaylson Graça
terça-feira, 5 de abril de 2011
Adeus amigo, adeus !
De que vale pensar ou questionar como estás? Se vives bem? Se respiras? Se choras? Se sofres? Ou se em mim pensas? De nada, e nunca valeu, pensar ou questionar isto. Simplesmente sinto-me triste devido as diversas memórias que tenho de ti. Não há mais shake and bake, ou bake num hambúrguer acompanhado de uma fatia de queijo derretido tantas vezes comido por nós, na maior das aflições. Não quero que me venhas falar. Não quero que penses ou que te questiones o porquê que eu, tão melancolicamente escrevo, estas palavras. Foi um impulso de um amigo que chora a medida que te vê saltitando numa prancha daquelas que existem numa piscina, de onde após apanhares balanço pelo ar e elevação, num voo bem a pique e sincronizado, cuja a pista de aterragem é simplesmente uma piscina sem água, que estupidamente evaporou e da qual só sobrará, o teu corpo morto!
Jaylson Graça
(Felizmente é Abril)
Jaylson Graça
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