domingo, 7 de junho de 2015

No apogeu de um falsete!

No apogeu de um falsete, ele toca a alma, toca a gente, nos recantos de uma memória que jamais esquece. Escrevo-vos meu caros, por entre linhas, sei que não sou brando, inclusive comigo, em melancolia constante pelas cinzentas nuvens que espelham o céu. Não sei porque escrevo, oiço apenas uma voz dentro de mim, que impele meus dedos sobre o digital, no escrutínio da verdade, mordaz ela, que não sou perfeito. Sou mais uma parte em desenvolvimento, de um semblante místico que jamais terá igual, a não ser noutra vida espiritual. Segundo mitos já vai na quinta, onde a mais importante foi passada no ancestral Egipto. Era o pensador das pirâmides, incompreendido pelos plebeus e pela aristocracia. Pois aquele túmulo não era para faraó nenhum, mais um tirano, chacinador, ignorante, mais um lobo disfarçado de lebre. Tanto se quanto máquina do tempo, pois na realidade o seu propósito era ser uma antena, que das correntes magnéticas e sinergéticas deste espectro obscuro circundante a Terra, onde a escuridão gladia com a luz do sol, tanto quanto mal e bem, espalhar por fim com a pirâmide boas energias pela Terra, para que mude um dia. Até hoje nunca foi concretizado, por mais vidas a minha alma passe. Porque nem todos sentem o apogeu de um falsete, e essa é a verdade. Essa é a dor impulsionada pela memória, daquele momento, específico, por tão poucos compreendido. Mantemo-nos paradigmaticamente na sombra, não percebendo as particularidades dessa teia que cobre o universo, negra mas pontuada de cantos de luz. Por lá eu vou sentindo, no apogeu de um falsete! Jaylson Graça

quinta-feira, 19 de março de 2015

Feridas

Escrevo, mas a minha alma chora. Chora porque ela não esquece, a ferida aberta e transcendente, que me magoa continuamente e que infelizmente esta ligada a ti. Sim, tu que foste simbiose deste ser durante tanto tempo. Mostraste-me sinergias no mundo que desconhecia, magia pura, que provavam que a força da vida está nos pormenores e para eles, não chegariam palavras suficientes para os decifrar, contar. Hoje escrevo, como outrora. Há uma raiva incessante em mim que me abranda. Não é ódio, é veneno que corrompe o coração e a mente de um corpo atirado borda fora. Mais um galeão da Invencível Armada afundado. Linhas históricas desniveladas, conversas cortadas e rostos enforcados. O poeta tem que ter cuidado com a noite, a melancolia fá-lo divergir ao sabor dessa névoa mítica, que o encaminha num acto sadomasoquista mas necessário, numa plataforma giratória de sentimentos e pensamentos, que entoam a síntese da sua filosofia, mas que nunca dirão tudo de si, na realidade. Por isso quem ama é poeta. É filósofo da vida. É sofredor nessa plataforma giratória de sentimentos e pensamentos, mas que recompensa. Hoje escrevo, não digo que te amo. Amo a vida e todas as coisas que ela me dá, boas ou más, na sua virtude, no seu saber. Hoje a minha alma chora, mas não caiem lágrimas porque sei que as feridas saram! Jaylson.

domingo, 9 de março de 2014

A Partida

Que a vida mude e a natureza transforme, Mas que nunca destrua o que dificilmente construímos. Os homens pensam-me maldoso, pois tal flor nunca tocaram, Tais olhos nunca miraram e tal alma nunca sentiram. Assim de mim invejam a menina, Em mim planeiam a partida. Atenção rapaziada, que em mim existe luta, Chama ardente e sempre astuta Que com palavras deixa-vos simplesmente perplexos. Cadê musa vossa sina, cadê em vós o chamado talento? Que de cantiga em cantiga sempre repetida Vão cavando vosso alento. Oh odes minhas e solitárias, ríspidas sobre terra e triunfais sobre o tempo De olhos sabem olhos, de meninos saberão suas mães De palavras sabem poetas, escrevem-nas sem saber porque De meu coração sabe o dela Por tal, adeus rapaziada, Estamos ambos de partida! Jaylson Graça.

sábado, 17 de novembro de 2012

Porque existem melodias sem titulo ou homenagem possível!

Qual será a justiça do mundo a não ser o nada e o vazio? Quem travará as suas lágrimas que, tal e igual ao Rio Minho que na sua nascente é tão branco e brilhante, assemelhando-se ao cristal ou então igual aos seus olhos, que, tão minuciosamente estão abertos, com medo. Que coragem terá ele, se já não tem as suas panquecas, que já não terá o seu “olá” diário dito com a voz mais doce do mundo, ou então o seu tão caloroso beijo na testa que tanta vez foi dado por esta virgem Maria ao seu filho que de bondade é tão semelhante a Jesus! Nenhum peito Leão aguenta tanta dor apesar de ser forte, porque viu sem nada poder fazer, tão linda Leoa que lhe fez sair de seu leito partir numa linha recta e cheia de luz para o céu! Voou assim a gaivota branca perto do Tejo, encarnando a liberdade de espírito que sempre teve nos momentos que com tal garra de animal lutava por uma vida que não teve nem nunca terá fim. Porque coração que ama não esquece. Porque olhos que vêm continuam a vê-lo. E porque ouvidos que ouvem continuam a ouvi-la alto, tão viva como realmente o esta, para sempre! Eu senti-o em todas as entranhas do meu corpo. Nesse dia, dos diversos rios de lágrimas fizera-se chuva intensa, a medida que trovoadas se davam sobre caras e buracos negros dentro de corpos, que tão desamparados estavam, necessitados de calor humano, de laços traçados e compartilhados num choro sem fim. Eu senti-o. Revogo egoísmos, porque sofri pela noite inteira, mordidelas e soluços sem som a medida que pela noite se travava uma luta de abismos num enrolar de cobertores, num corpo despido de sentimentos e de um coração, mais que amolecido, onde estará cravado para sempre o seu nome. Os meus olhos enchiam-se de água benta que calmamente se iam desabando a medida que pelo escuro aparecia a sua figura já com asas de anjo, de mãos esbranquiçadas, quentes e suas, tão humanas e verdadeiras aquando das festinhas que dava no gordo gravatinhas, o seu gato. Porque, como bem o digo. “Tudo isto e aquilo, aquilo ou aqueloutro, é a …” Com amor e carinho. Jaylson!

A Janela

Olho pela janela e vejo a imensidão do nada sobre os meus olhos, que, a medida que vão vislumbrando os pequenos raios de luz, fecham-se, num escuro destorcedor. A brisa esbate-me na face gelando-me os pensamentos, agravando a tristeza que o frio levanta sobre as suas égides, firmando a melancolia de uma manha de Outono. O pensamento não é nada, na verdade não passa de uma simples folha branca, cheia de rabiscos e confusões. A janela embacia-se ao mesmo tempo que a respiração fica ofegante e a mão trémula, ao ponto de deixar cair a chávena de chá, que tão cuidadosamente tinha sido preparada minutos antes, com uma saqueta enfadonha de camomila. Mas o que é a vida para além de bases imaginárias, criadas sobre plataformas tectónicas, instáveis, a que a muitos chamam sentimentos? Provavelmente só a brisa o sabe, mas vai dizendo a verdade através de assobios que ninguém percebe. O menino só passa a homem quando reconhece as suas responsabilidades. Quem me dera voltar a ser menino e de desvendar cada assobio dessa fria brisa.
Graça

sábado, 15 de outubro de 2011

Le ciel


Ao mesmo tempo que o céu estrelado se mantinha,
Tocavam 12 badaladas na igreja ao lado,
E se a pêra doce sua boca sabia,
Quer então dizer que de facto vamos ambos enamorados.

Porque se só a si minha donzela peço guia,
Quer também dizer que de si tenho todo o gosto e agrado.

Luzes das estrelas o céu mantinha
Por um amo-te,
Por vezes de cariz complicado.

Porque a si devo tudo doce diva,
Espero que ilumines este teu amor maravilhado,
Com tal alegria e simpatia,
Indo o moço de teu amor escravo.

Se é a vida e o amor?
Para que pensar muito?

É tão bom amar e viver sem o saber,
É tão bom provar o pouco que o amor sabe e por ele sofrer.

O Camões Preto

sábado, 9 de julho de 2011

O casal perfeito


A história de ambos remota aos primórdios das suas próprias existências, conhecem-se desde sempre e prontamente caminhavam ambos passo a passo no caminho da felicidade. Sim, mantêm-se juntos desde os cinco anos de idade quando ele agarrou com afinco e com toda a coragem as mãos de ambos, ascendendo-as bem ao alto num gesto de plena união e amor, afirmando que dali em diante ela seria dele e ele seria dela, para sempre. Assim tornavam-se num só ser desde cedo. Ela amou-o desde o primeiro momento que sentiu a sua presença, mantendo-se junto dele até hoje, e apesar de ser cega e de ele o saber, permaneceram-se juntos na saúde e na doença, na alegria e na tristeza e nem a morte um dia chegará para os separar. É triste mas foi o seu destino. Perdeu a visão num acidente que fatalmente pôs duas asas de anjinho e um halo, por cima das cabeças dos seus pais, deixando-a assim sozinha num mundo assustador, fazendo com que ela vivesse com uma tia que viria a mostrar-lhe o portão da felicidade e do amor, que no fim seria coroado com o aparecimento dele, que por fim traria luz aos seus olhos avelã, cor de oiro e brilho de estrela. Mas no amor não importa se vemos ou se não vemos. Ela não precisa de o ver, porque quem ama vê as escuras, sente a distâncias impensáveis e ouve o coração do seu ser amado bater, numa ligação de telepatia e amor inquebrável. Isto não é a história de Romeu e de Julieta. Ela não é Bonnie e ele não é Clyde, mas são perfeitos um para o outro, caminhando lado a lado, passo a passo, de mãos dadas e sorrisos abertos, ele servindo de guia e o seu ombro de encosto, onde por fim pousaria ela a sua cabeça, ficando abraçados, aquecidos e sentados a medida que as folhas laranjas do Outono caiam delicadamente no chão, ao mesmo tempo também que os seus lábios vão-se encontrando mutuamente em longos beijos cheios de ternura e paixão. O primeiro beijo dela será dele e o primeiro beijo dele será dela. É uma vida simples preenchida de amor e carinho. A mão esquerda dele estava sempre quente para a mão direita dela, ao mesmo tempo que vão passeando e que vão quebrando tabus de uma sociedade mesquinha e atrasada, provando que o amor se sente e não se vê e que a cada dia transforma-se em algo melhor ainda, sendo um baú de surpresas que no fim revelar-se-á ser o coração de ambos, infinitamente apaixonados, um pelo outro!

JG